quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Love Hurts

Num destes dias a mais nova não foi ao treino de ginástica porque estava com dores de cabeça.
Aí pelas 20h30, lembra-se que faltava praticar uma música na flauta. Pensava eu tratar-se dum corridinho ou do brilha brilha lá no céu. Afinal não. Era nada mais nada menos que o "Love Hurts".
"Como? Para amanhã? Mas já tocaste alguma vez nas aulas, não? "
Lá em casa somos duros de ouvido para a música, embora quando era miúda sacasse o Bailinho da Madeira das teclas do piano.

Do pouco que sei de música sei que a Clave de Sol indica a posição do Sol na pauta musical. Mas a pauta que ela tinha não mostrava o Sol no lugar do costume .... Demorei a perceber que era uma escala diferente. Não estava preparada para isto. Escala em Fá Maior. Logo o Sol não é no mesmo sítio. Nem todas as outras notas...

No Livro vem indicado um link para apoio ao aluno mas logo por azar não conseguíamos aceder. É o que geralmente acontece quando temos pressa, fazemos qualquer coisa na véspera, ou se deixa tudo para a última!
Salvou-nos o youtube. Encontramos um tutorial brasileiro com as notas musicais do Love Hurts.... e soava-me ao Love Hurts dos anos 70. 
Sol Lá
Sol Lá
Sol Lá

Depois de 1h nisto e com a dor de cabeça a piorar, a minha e a dela, ela já sacava uns afinados Sol Lá da flauta. Mas faltavam as notas seguintes, e aí nem o brasileiro nos podia ajudar porque a flauta não era de bisel.

Suspeitei que aquele Lá do Sol Lá já aprendido e ensaiado fosse um Fá, mas não soava nada bem ou já tínhamos o ouvido treinado para o Sol Lá.
Bom, 22h, e antes que os vizinhos tocassem à campainha a implorar silêncio, ficou-se pela 1ª linha da pauta musical do Love Hurts, minimamente afinado. Seguiu no dia seguinte com a missão de descobrir como se tocava a outra linha.

Tal como previa as primeiras notas eram SOL FÁ. Descobriu ela no dia seguinte e descobri eu que depois consegui aceder ao tal link. Só pensava que raio de mãe era eu que estive 1 hora e tal com a criança a ensaiar um SOL LÁ e a achar que soava tão bem!

Uma mãe quer ajudar mas quando não tem queda, nem os tutoriais a salvam!
Saiu um insuficiente em Love Hurts.

Love (de mãe) Hurts!



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Último dia. Pela costa Atlântica

O último dia foi passado de regresso a Tanger.
Antes de entregar o carro aproveitamos para visitar a costa banhada pelo atlântico.
Percorremos zonas extensas de praias quase vazias, vivendas, urbanizações em construção, e hotéis de luxo escondidos no meio de altos muros e vegetação cuidada. Aparenta ser uma zona em franco crescimento, uma futura Vilamoura ou algo assim.
Chegamos ao Cabo Spartel e o seu farol virado para o lado Atlântico. Existe um outro cabo do outro lado de Tanger, voltado para o Mediterrâneo.
Continuamos a reparar no facto de nesta zona os vendedores não abordarem os turistas. Junto ao Farol vendiam-se souvenirs mas não nos foi impingido nada. Uma criança fez-se à fotografia porque viu que estávamos a reparar nele e na sua ovelha mas sem pedir nada em troca. Ficou até meio envergonhado quando lhe demos 1 euro, muito mais do que ele esperaria receber...





Por ali perto ficam as Grutas de Hércules, onde consta que o mesmo terá descansado depois dos seus árduos 12 trabalhos. Há uma abertura na rocha virada para o mar, que significa a separação física dos continentes Africano e Europeu e que se assemelha ao contorno de África. Nas grutas existe uma zona mais decorada mais artificialmente e com loja de souvenirs, com entrada gratuita mas onde se deixa uma moeda ao rapaz que lá está com o seu macaco para fazer pose com os turistas. Não sou grande adepta deste tipo de utilização de animais para fins comerciais mas o macaco parecia efetivamente bem tratado e bem disposto e gostava de mimos!
 A zona de acesso à gruta principal tem um custo simbólico, e vale mais a pena visitar.





Ajuda muito fazer algum trabalho de casa antes de viajar. Levar uma lista de sítios a visitar, ler experiências de quem já por lá viajou, dicas, etc. Principalmente quando se viaja com crianças que ainda não apreciam tanto o "Dolce Fare Niente" e a pergunta mais frequente é "E agora, o que vamos ver?"

De volta a Tanger para a última tarde. Ainda tínhamos o carro por isso aproveitamos para passar pela Medina do lado de fora. A zona em frente ao mar está em renovação, com uma grande marginal e um Porto de pesca já preparado para receber visitantes que chegam de ferry. Acabámos por não explorar a cidade velha de Tanger, que se esconde atrás das muralhas voltadas para o mar, o seu Kasbah e alguns cafés famosos pela vista mar.
Ainda assim foi o qb para absorver mais um bocadinho desta cultura tão diferente da nossa.
O regresso a Portugal seria de madrugada e já levávamos saudades destas férias.






sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Tetouan

Deixamos Chefchaouen para a menos conhecida Tetouan, mas com uma das Medinas mais antiga de Marrocos e Património Cultural Mundial.
Aqui a escolha recaiu num Riad do outro lado do rio, com vista sobre a cidade. Mais uma vez demos prioridade a estacionamento para não ser necessário entrar na Medina de malas e miúdas com malas.






Não estando certos da Medina ser tão turística como a de Chefchaouen, decidimos recorrer a um guia local que nos mostrou o essencial durante uma tarde. Valeu bem a pena já que de outra forma não nos teríamos aventurado a tanto e foi muito interessante do ponto de vista da informação que nos deu e dos locais que nos mostrou. Não teríamos descoberto o significado dos azulejos nas portas, nem a marca das casas dos Judeus, nem reparado nas pontas da estrela de David. Claro que à boa maneira marroquina lá acabamos numa loja de tapetes, noutra de artigos em pele e finalmente no estabelecimento do Mustafa e seus cremes e óleos de Argan. Diria que faz parte e sem isto não é Marrocos! As miúdas acabaram por gostar bastante desta experiência mais comercial. O Mustafa soube vender os seus produtos e lá trouxemos uns frasquinhos e uns potes de especiarias.
A mais nova passava facilmente por marroquina, mais ainda depois de se vestir com uma túnica típica e a mais velha quase já tinha pretendentes.
Tal como cá, estávamos quase no arranque de novo ano letivo e as compras de material escolar faziam-se de lista na mão mas nas bancas instaladas nas ruas, onde nos cadernos à venda se escreve da direita para a esquerda! Muito curioso e enriquecedor visitar uma cidade menos turística no seu dia a dia.
Também há fontes espalhadas dentro da Medina mas estas não aconselháveis a "barrigas" sensíveis e pouco acostumadas a micróbios africanos.

Vimos um dos palácios do rei e o perímetro de segurança. Jantamos bem num típico Riad, em que no tapete da entrada uma gata amamentava pacificamente as suas crias.

Marrocos está sem dúvida mo meu coração. País onde voltaria sem hesitar.












quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Chefchaouen


Agora sim entramos no verdadeiro espírito de viajante por Marrocos.
Ficamos alojados num Dar, ou casa Marroquina. Dar Annasr, do lado de fora da Medina. Como tínhamos carro alugado foi a melhor opção, além de que não circulam carros em grande parte da cidade. Pequenino, acolhedor, simpático. Fomos recebidos com o famoso chá de menta, gratuito. Adoro estes detalhes de hospitalidade tão típica destes povos.


Sobre Chefchaouen nem sei por onde começar. É azul, disso não há dúvida.
A certa altura o pai da casa até disse que parecia que estávamos dentro duma piscina. É um pouco essa sensação. Tudo tem um tom azulado, que se reflete até no nosso tom de pele!
Depois dum fim de tarde imbuídos de azul e de jantarmos na praça principal, avisei logo a minha gente que no dia seguinte era para lá voltar. Eu sei que por eles estava visto, mas ainda assim arrastei-os comigo e acho que não se arrependeram.


É uma cidade turística, que tem vindo a ser cada vez mais ponto de visita obrigatória para quem viaja para o Norte do país. Reparamos em imensos turistas de Marrocos, pelos vistos devido ao facto de estar a passar uma novela na TV filmada nesta cidade. À semelhança de Fez, que ficou famosa graças a uma novela brasileira, agora é a vez de Chefchouen.
Ainda assim, apesar da proliferação de cafés, restaurantes e lojinhas de souvenirs, mantém a sua rotina, com os seus habitantes provavelmente a estranhar o porquê de tantos visitantes. Aqui os vendedores não importunam os turistas e os preços já são tão baixos que nem vale a pena regatear.







Existe um castelo, Kasbah, no meio da praça principal. Vale a pena subir e ter uma vista da cidade à sua volta. Nesta zona encontra-se também a Mesquita e o tradicional chamamento para as orações acontece várias vezes ao dia.






Depois, no fundo é deixarmo-nos perder pelas ruelas. Cada recanto é uma surpresa. A cada esquina há um beco mais azul que outro. Existem várias fontes espalhadas pela cidade, e como suspeitava, de água potável, que nasce nas montanhas do Rif. A cidade é extremamente fotogénica e para quem como eu tem a paixão por fotografia, é um Mundo! A certa altura faltava ver uma rua que está em quase todos os postais da cidade mas que ainda não tínhamos encontrado. Lá perguntamos numa lojinha onde ficava. Não podia de lá sair sem ver essa rua, com uma escadaria azul, claro, e decorada com vasos coloridos. Sou da opinião que só se descobre a alma dum sítio em modo slow motion. É a este ritmo que a cidade se abre aos nossos olhos que lhe percebemos o encanto, que lhe damos a hipótese de se revelar e deslumbrar.





Por todo o lado existem as lojas tradicionais onde vendem a cal tingida de várias cores para as casas, portas, etc. Os marroquinos não gostam de ser fotografados. Nota-se que são frequentes as vezes em que se afastam, ou viram-se e em alguns casos fazem um sinal com a mão, sem alarido. É necessário respeitar isso. Existem uns chapéus típicos que poderíamos pensar que é só para turista ver e comprar, mas os habitantes de Chefchouen usam mesmo. Apesar do calor é uma cidade que se torna mais fresca porque tem muitas zonas de sombra, provocadas pelas videiras que cobrem algumas ruas pelo facto das ruelas serem estreitas.




                                                           (uma das minhas fotografias favoritas)





Chefchaouen tem muitas portas, gatos e até portas para gatos.








E mesmo ao sair, ainda a fomos ver por fora lá do alto. É uma cidade muralhada e ao longe não tão azul como o seu interior esconde. Vale a pena descobri-la.
Eu acho que ainda me perdia por lá mais umas horas sem me cansar de espreitar todos os cantos!