segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Outras Lapónias


Todos os anos vamos sonhar....acordadas.
Há sempre muito para ver, tanto para fazer e delícias para provar!
Já conhecemos a Terra dos Sonhos há 3 anos, mas vale sempre a pena!
Para lá dos portões é um mundo à parte, cheio de contos, de magia, de música, de aventuras e de Natal.
Até o senhor das barbas é quase real! (talvez seja o verdadeiro!)


E ainda vimos o Rodolfo, que afinal só fica com o nariz vermelho mais pela noite.


E nao é que fomos à Lapónia! Mais depressa do que pensava!


Já só falta a Lapónia lá longe, a da neve verdadeira!
Mas para já, esta serviu!



domingo, 29 de dezembro de 2013

No rescaldo do Natal


Dezembro é um mês estranho. Frio e cinzento, mas cheio de cor!
Passa a correr! Todos os anos tenho a mesma sensação, vai-se num piscar de olhos.
Começa dia 1 com os primeiros preparativos, a àrvore de Natal, enfeites, luzes. A casa fica mais acolhedora, revestida a sonhos e desejos de meninas ansiosas.
Depois passamos dias a ouvir músicas alusivas à época em qualquer superfície comercial enfeitada desde outubro!
São as listas de compras.
Pensar nas pessoas que gostamos e queremos mimar.
São os muitos afazeres e correrias, que adoro!

E de repente, puf, chega-se a dia 24, à típica agitação do dia, à confusão do desembrulhar, e está quase no fim, o mês, e as natalices!
Dia 25, é dia de regressos.
E pronto, lá entramos naquela semana, rescaldo do Natal, antevisão do ano novo e sabemos que até aos Reis ainda é vindima......e temos na mesma a àrvore de natal, as luzinhas a piscar, e os chocolates para ir comendo, mas já estamos forrados da doçaria do Natal.

Estão as meninas de férias.
É uma semana a meio gás.
Adiam-se os trabalhos de casa.
Alijeira-se o ritmo.

São os brinquedos na sala, à espera de serem descobertos.
São restos de papel de embrulho amassado a colorir o cesto do papel para reciclar.
São as constantes solicitações para brincar e jogar.
São os restos dos doces.
E aquela vontade de ficar por casa, a aboborar, a devorar filmes de natal, aconchegadas em mantinhas.

Começam outras listas, outros preparativos, estes para despedir do ano velho e acolher o ano novo!

Continuo a achar que as mães deviam ter férias natalícias....



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Agora falta a Lapónia!


O Natal tem mais magia quando há crianças.
Também é mais mágico quando elas acreditam no Pai Natal.
E esse reinado de magia está a terminar....

A I soube a verdade este ano. Até há pouco acreditava com muita força.
Nunca dava conta do desaparecimento de ninguém, no entanto os presentes apareciam como por magia.
Os embrulhos e as etiquetas eram sempre diferentes e assinados pelo Pai Natal. Chegou mesmo a ver o nariz vermelho do Rodolfo a piscar à janela, enquanto este e demais supostas renas sobrevoavam os céus para pousar na próxima chaminé (aí até eu quase acreditei!). Para além disso, o Pai Natal aparece com as renas no telejornal, e o telejornal dá notícias verdadeiras, certo?!?

Depois, todos os filmes de Natal, levam a que se acredite e sonhe que é verdade! Terminam quase sempre a convencer os mais céticos de que o senhor das barbas é real e consegue dar mesmo a volta ao mundo numa noite, haja tempestade de neve, avarias no trenó, renas constipadas, rainhas do gelo maléficas e tudo e tudo!

Mas este ano, para ela o mistério terminou.
Embora o Natal seja uma época festiva e de família reunida, para a I este ano perdeu aquele sabor mágico do algo inexplicável.....do "será que o Pai natal me vai trazer o que pedi?!"....

A R suspeita, desconfia e questiona. Mas a I queria que ela acreditasse nem que fosse só mais este ano! Para que fosse ela a ajudar a criar magia para a irmã....então lá engendrou forma de dizer que o Pai natal escolhe um continente por ano onde vai ele próprio e nos restantes continentes são os pais que o substituem. Este ano calhou a Europa, e por isso é mesmo ele a entregar as prendas!

Não estou certa da R ter caído na conversa, mas ficou a magicar....
Ainda assim, enviaram cartas ao Pai Natal, limparam a lareira, a R colocou etiquetas nas meias, uma por cada criança, e esperou....entretida pela irmã, para que não notasse rebuliços estranhos ou embrulhos esvoaçantes pela casa.



E aconteceu tudo como sempre. Os presentes apareceram lá, sem que ninguém tivesse desaparecido.
E o Pai Natal trouxe o que pediram...e os sorrisos esses não falham!

Ao chegar a casa descobrimos um filme natalício na RTP2.
Terminamos a noite, a ver o Fred Claus, irmão do verdadeiro Nicholas Claus!


e a R lá ficou outra vez um bocadinho baralhada.....então afinal, é o Pai Natal?!

Ainda assim creio que este foi o último Natal com a magia do acreditar com toda a força....

Agora falta-me levá-las à Lapónia....
Gostava mesmo de fazer um visto nesse item da minha lista de "TO DO"...

Se calhar vou pedir ao Pai Natal! ;)






segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Dar de nós



Na onda do "Tu estás feliz eu estou feliz", e agora que acabou o 1º período, devo dizer que para além de feliz por estares feliz, estou orgulhosa.....

Estou feliz e orgulhosa pelas minhas duas meninas, claro!

Mas no 6º ano o ritmo é outro, a escola é outra, os professores são muitos, há o fantasma que lhes paira todo o ano dos exames finais e depois de um 5º ano de adaptação e ainda assim muito bom, estou Orgulhosa porque....

 o teu empenho deu frutos, e principalmente os frutos que querias!
 o conseguiste sozinha
 embora diga que és despistada, és responsável e atinada
 já sabes organizar o teu tempo, o teu estudo
 afinal sabes que és capaz
 acreditas em ti
 te manténs tu própria
 
E principalmente porque disseste que o teu objetivo para 2014, é melhorar, mas mais ainda, ajudar uma colega de turma a quem não correu tão bem, a subir as notas para que não chumbe de ano.....e isto sim, faz-me sentir que és especial, muito!

No meio de tantas dúvidas sobre a mãe que sou, do que faço certo ou errado, sinto-me feliz por ver que os valores estão lá plantados. Tenho meninas de coração grande! Talvez esteja a fazer alguma coisa bem...


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Tesouros bem guardados

Fomos ao teatro numa viagem especial.

E esta viagem levou-me a outras viagens, às da minha memória, ao meu tempo de menina, numa espécie de máquina do tempo em imagens, sabores e cheiros.


Do lado materno:
O azeiteiro que aparecia à porta da casa a buzinar
A ida à missa primeira com a minha avó Cila, a pé, ainda com o orvalho da manhã
Os bolinhos de arroz com salsicha
O pão torrado no forno a lenha barradinho com planta
A senhora com o peixe à cabeça: "Cila queres sardinha?" e que eu costumava imitar
Tomar banho no tanque
As coleções das caricas do frisumo
Esperar por garrafas vazias de vinagre para ir atirar água aos carros que passavam (ou obrigar a avó Cila a desencantar outro recipiente para pôr o vinagre e libertar as garrafas)
Ir buscar água à fonte
O maravilhoso pão com ovo estrelado e açucar
Fazer comidas com o que havia no quintal, couves e terra dava um ótimo caldo verde imaginário
Aprender a tricotar
As ervilhas de cheiro
Os amores perfeitos
Ficar à janela a ver os mascarados do entrudo a passar.
Dar comida aos coelhos
Brincadeiras e arrufos de primos
As pratas de chocolate que o meu avô Berto comprava, coloridas, com caravelas que eram retiradas meticulosamente para não rasgarem e colocadas dentro de livros lisinhas.
A ida ao quelhas ou à Ti Canda para as compras
Ir apanhar lenha e cada um ter o seu próprio feixe e levá-lo à cabeça
A expressão da minha avó "Muito riso pouco juízo"
A lenga lenga que o meu avô fazia nos dedos das mãos: "Pico pico sarapico...."
A roupa a corar
As peles dos coelhos transformadas em tapetes
Atirar caroços de fruta para o quintal, que deram árvores anos depois!
Adorava ver a minha avó a escovar o cabelo prateado e a fazer o puxo rematado com um gancho.
O meu avô usava chapéu sempre que saía de casa
Vestia sempre roupa quente mesmo sendo verão
Para estes avós era (e sou para a minha avó) a Cláudinha


Do lado paterno:
O cheiro a graxa quando o meu avô Domingos concertava sapatos
O meu avô a fazer a barba no fundo de corredor.
Os assados no forno da avó Lídia.
O arroz na púcara com cebola
A lareira
A minha avó chouriça, porque era assim que o meu avô a chamava
A minha avó a chamar o meu avó para a mesa quando ainda nem tinha posto o arroz a cozer
As conversas dos crescidos à lareira
As anedotas do meu avô
As pinhas a abrir em frente à lareira na noite de Natal e comer os pinhões ainda mornos
O tacho de ferro preto a cozer o bacalhau na lareira
As prendas nas botas na manhã do dia 25
Os pintaínhos em caixas com lâmpadas para terem calor
Depenar codornizes
Lavar roupa no tanque
Ouvir o sino da igreja de quarto em quarto de hora
Os meus tios quase da minha idade
As compras no Tomás
Brincar pendurada na cobertura que havia no quintal
O Datsun azul claro do meu avô
As calças com furinhos do cigarro que mantinha no canto da boca e do qual lá ía caindo a cinza.
Os apertos de mão especiais do meu avô, porque tinha 2 dedos dobrados
Para este avô era a Sofia
A minha avó e as suas gargalhadas de rir até chorar

Durante anos não tiveram telefone, muito menos telemóvel.
Só havia 1 canal, depois 2 e bem mais tarde TV a cores.
A vida tinha outro ritmo. Outro sabor.

Nada disto, ou quase nada ficou registado em fotografias. Mas enquanto me lembrar serão sempre os meus tesouros.

Tenho a sorte de ainda ter as minhas avós e de recordar com muito carinho o meu avô Berto e o meu avô Domingos.

E não fui a única a viajar no tempo hoje....

A I também viajou ao deitar.
Lembrou a Bisavó Jú, o Bisavô Berto.
Disse que gostava de ter conhecido mais bisavós...
Concluímos que é bom recordar, mesmo que tenham partido.
Acabamos por rir de memórias. É bom relembrar, ainda que seja com saudade....

E sentiu-se sortuda por ter 4 avós e 2 bisavós!
E já tem as suas próprias memórias e desta vez, mais fotografias a acompanhá-las!




sábado, 14 de dezembro de 2013

No place like home



"Vocês são a coisa mais importante que eu tenho na vida"

Esta miúda não pára de me surpreender...e derreter....
R, 7 anos, ao deitar, referindo-se à nossa família.





sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Estou aqui



Ao fim do dia, estão as meninas ávidas por contar o dia, e eu ávida por descanso.
Uma coisa não combina efetivamente com a outra.

Talvez seja a hora em que a nossa disponibilidade devia estar nos níveis máximos para ouvir, para estar ali de corpo e alma, mas no meu caso coincide com o momento em que a minha cabeça não consegue gerir muita informação...

Ainda assim, é quando sou mais solicitada, e geralmente quando uma abre a boca logo a outra se lembra de mais alguma coisa que ainda não contou.

E começam a contar o dia, e as peripécias, e as suas histórias que têm pouco de princípio, meio e fim, acompanhadas de mudanças bruscas de tema que me baralham e já nem sei quem contou o quê, entre o veste e despe dos casacos e o entra e sai do carro.

Às vezes ao terceiro "Mãe!" dou comigo a responder " Ãh?!" com ar de deixa-me em paz, ou a responder "Espera, já dizes deixa-me só fazer isto".....não consigo evitar....mas afinal tantas vezes estiveram demasiadas horas sem me ver.....tanto tempo à espera para contar uma novidade, uma angústia, uma alegria....tanto tempo à espera de partilhar.....

E sei que por vezes não as ouço verdadeiramente. Sei que estão a falar mas tenho a cabeça longe noutros pensamentos e vou apanhando pontas da história. Talvez apanhe o inicio e o fim, e o meio não faça assim tanta falta, tal é o detalhe da descrição. Mas sei que quando assim é, elas me sentem o olhar vago e sabem que não estou ali. Não devia ser assim.

Tenho o Grande privilégio de me contarem tanto. De me confiarem segredos. Ainda.
Queria fazer melhor no "estar aqui". A Estar aqui mesmo! De olhos nos olhos.
Quero continuar a ter o que ouvir, antes que sinta que deixaram de me contar...
Quero continuar com este privilégio.

Afinal, não sou a melhor amiga, nem é esse o meu papel, mas ainda sou a mãe para os desabafos. Ainda.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mariana


A R conheceu hoje a Mariana, de 8 anos.
Vive num lar.
Achou-a muito simpática porque até lhe foi buscar um copo de água.
Conheceu a cozinha, a sala, e referiu que o lar tinha 25 quartos e muitos meninos e meninas de várias idades.
Mas foi a Mariana que a fascinou, talvez pela idade, próxima da dela.

Contou várias coisas, sobre o lanche que ofereceram aos meninos da turma da R, sobre uma menina que fazia anos, mas a Mariana vinha sempre à baila.....e de repente disse com ar de entusiasmo, como quem tem uma grande ideia...

"Eu queria que ela fosse minha irmã!
Podes trazê-la cá para casa?"
Vá lá. Vai lá buscá-la....."

Podia ser assim.....fácil, como aos olhos da R.

Falamos de lares, dos motivos pelos quais alguns meninos estão em instituições dessas mesmo tendo pais, consultamos o site do mesmo, vimos um vídeo curto sobre famílias de acolhimento, fotografias, e ela só queria lá ver a menina que tanto a fascinou.

- "Podíamos ser uma família dessas e trazer a Mariana?"
- Mas depois não ficavas triste quando ela fosse embora?
- "Mas ela assim tinha sido feliz esse tempo....."

E fiquei sem resposta, de lágrima escondida.
As crianças ensinam-nos tanto! Talvez devessemos analisar os assuntos aos olhos deles. Com mais coração.

Até se ir deitar foi o assunto mais falado. Volta e meia lá dizia mais uma frase....

"Se ela viesse ía ser a irmã do meio"

E mesmo mesmo ao adormecer: "Esta noite vou dormir a pensar na Mariana",

Ao que lhe respondi que se calhar a Mariana ía dormir a pensar nela.
E sugeri ir lá visitá-la um dia destes, e talvez dar-lhe um presente de Natal!
Sorriu com os olhos a minha R e adormeceu no quentinho, com companhia, em família, a pensar que a Mariana também tem quem a aconchegue.....

Agora sou eu que penso na Mariana....e no grande coração da R.



sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Vidas com V do tamanho do Mundo

Há histórias de Vidas que lhes devemos contar.

A I já conhece parte desta. Hoje reconheceu o nome. Ficou triste.
Também, como a mim, lhe custa entender como alguém preso tantos anos, consegue ter a capacidade de ser tão Grande! Talvez nos custe, porque é realmente dificil, porque se fossemos nós será que o faríamos......! Só um grande ser humano teria essa capacidade.

Acho que as nossas crianças merecem ouvir esta História.

Talvez venham a existir mais pessoas assim, que não aprendem a odiar!
Tenho esperança que na geração delas existam mudanças de mentalidades, perdões, compaixão....e que isso seja visto com naturalidade e não quase como exceção...

Ainda nos é permitido sonhar....


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Inverno, mas pouco!


Gosto do inverno. Mas pouco.
Não fosse o Natal estar nesta estação, não seria eleita a minha preferida.
Não gosto de dias curtos, em que escurece muito cedo.
Ainda me lembro da confusão que era explicar às miúdas que não era eu que ía buscá-las mais tarde à escola. Ficava de coração apertadinho quando ouvia " Oh mamã mas porque não me vens buscar de dia?!" ou " Agora vens sempre só de noite!". E quando eu dizia que eu estava na hora certa, mas era a hora que tinha mudado olhavam para mim com um ar de desconfiança, já que embora soubessem que nunca lhes mentia, o que ouviam parecia saído de um documentário de ET´s.

Acho até que estes dias curtos explicavam algumas birras associadas a desconforto, a frio, a sono, afinal já é de noite! Até a mim me tira energia e me dá vontade de fazer birras volta e meia.
Não dá para aproveitar a rua, os passeios ao fim da tarde no parque, as brincadeiras nas traseiras, ou se dá, é tudo acompanhado de várias camadas de vestimentas, tipo cebola.

O trio Dezembro-Fevereiro complica tudo. Ainda bem que encaixaram neste trio o Natal e o Carnaval, para bem dos sorrisos dos mais pequenos. E a parte da neve, que torna o inverno romântico, mas que a cada ano que passa me vai deixando frustada, já que neva em todo o lado menos por cá.....

Até as manhãs são difíceis. Aquele saltar da cama para enfrentar o frio desanima até os mais afoitos.
Bem, pelo menos está um inverno ao meu gosto.....até agora....frio e sol!

E o ano passado foi tão invernoso que eu ainda nem saudades tinha da roupa de inverno. Gostava de a deixar fechadinha nos gavetões. Este ano apetecia-me saltar uma estação.

Passava o Natal e depois "Plim!" acordava na primavera! (Dispensava bem o Carnaval!)



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Último instante


E depois das habituais correrias matinais, de minutos contados ao segundo, e o tempo gerido em função da preparação dos lanches, o constatar que a mochila está fechada, o vestir dos casacos, acrescido de acessórios típicos desta altura como o pack gorro, luvas e cachecois, eis que no último dos instantes, quando a porta está prestes a abrir,  a criança desaparece do corredor......

Afinal faltava-lhe qualquer coisa....
No último instante, é quando se lembra que gostaria de levar um diário, um livro, um boneco, uma carteira com ganchos, um bloco e uma caneta, sei lá eu mais o quê?!?!?!? E não, não é para levar na mochila, é para levar na mão, junto com a lancheira. E claro que está, que na nossa ida a pé até á escola o acessório extra há-de cair meia dúzia de vezes, e ela há-de olhar para mim de lado para ver se não me apercebo ou se não digo, eu não te avisei!

Ainda hoje foi assim. Quando desapareceu, tinha ido ao quarto. Então R?
"Vim só buscar uma coisa!" e pronto lá estão os meus segundos esgotados em conjunto com a minha paciência! Quando se despacha lá a deixo trazer as traquitanas, mas outras vezes ela deve perceber que o melhor é abandonar essa ideia rapidamente.....
E hoje abandou a ideia, ao meu "Hoje não há tempo para isso", mas ela até queria levar "a minha primeira enciclopédia em imagens". Sinto-me má.
Afinal a criança queria aprender e ficar culta e eu travei o interesse natural em aprender.

E pronto lá fomos nós em modo corrida, e sem a enciclopédia!


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

UFA!

O dia 1 de dezembro é sempre um dia em cheio, ainda que seja passado quase sempre por casa!

Logo de manhã começamos por arranjar espaço para a nossa árvore verdadeira!
Ainda tentei convencê-las a colocá-la na outra ponta da sala, mas as meninas acharam que não era a nossa tradição ter a árvore ali....e que no outro lado não tinha tanta luz, e mais mil e uns argumentos possivelmente questionáveis..... Convenceram-me logo com o 1º: "Não é a nossa tradição!"......Yeah! Já temos as nossas tradições, as da nossa casa, as da nossa família!

Depois, dia 1 é dia de tanta coisa! Quase precisava de uma lista só para o dia 1!

Dia 1 de dezembro, dia 1 do Advento.

Implica:
1 - Calendário - e por muito que existam calendários giríssimos mais saudáveis e amigos da dentição infantil, recheados de atividades, chocolate é chocolate e nós temos logo 2!
(e estou mesmo a pensar adquirir um para mim no próximo advento)

2 - Calendário em histórias. Lê-se uma por dia e depois penduram-se na árvore! Já o temos há uns anos, mas é sempre novo. No 1º ano fui eu que li, depois a I já lia sozinha, o ano passado lia a meias com a I, e este ano ficou acordado que lia a R, porque este ano já sabe ler.
O pendurar na árvore é que tem que ser vez à vez, entre as duas......há coisas que não mudam....


3 - Este ano temos uma novidade, o "Merry reading". Fizemos uma seleção de livros de Natal e outros, num total de 23. Embrulharam, decoraram o papel e para isto descobrimos novo uso para as formas das bolachas e ficaram a secar à espera da hora certa, para serem colocados debaixo da árvore de Natal. Todos os dias, e começou já hoje, tiramos 1 à sorte, e vamos ler no quentinho.


E de Advento para já chega.

E vem então a árvore natural e a natural agitação até estar pronta! Custa-me a entrar no esquema de que é natural esta excitação, que dá sempre lugar a uns atritos para resolver, e que vêm no seguimento dos que começam logo cedo....se os livros escolhidos servem ou não, quem embrulha mais, quem escolhe o livro para embrulhar, quem pões as tintas no papel, quem usa primeiro uma certa cor, quem pendura uma bola, quem põe uma fita, pendurar os chocolates (que não falham na nossa árvore) ou comer já alguns, a hora de abrir o calendário dos chocolates, quem põe a Maria no presépio, e por aí fora.....e dou comigo a suspirar, e a não conseguir contar até 10 antes de abrir a boca, e a pensar UFA, isto do dezembro cansa!

A nossa decoração foi mudando muito ao longo dos anos, e foi crescendo. Tenho uma árvore cada vez mais colorida, cada vez mais cheia de histórias e recordações. Talvez não seja de capa de revista, mas é muito nossa, elas gostam e eu também!
Os nossos frutos de jacarandá ficaram giros, mas tiveram que ter a companhia de mais enfeites.


E se há enfeite que não pode faltar são os chocolates de pendurar!

Também já tentei colocar uma estrela normal, mas a nossa é uma estrela cadente, o que também se tornou já tradição. Que lhes traga muitos desejos realizados!



Esteve um belo dia de sol, mas as meninas não arredaram pé de casa, em pijama.
E para terminar até nevou!



(confesso que não foi a melhor das minhas ideias...mas para elas foi das melhores!)
Nota para resto do inverno e 2014: Nevões são sempre melhores fora de casa!

É um dia esgotante! Mas feliz! UFA!!

E para o ano não é feriado, e não calha ao fim de semana.....teremos que fazer o 1 de dezembro noutro dia qualquer......

domingo, 1 de dezembro de 2013

Promete!

Todos os anos gosto de ter alguma coisa nova na Árvore de natal!

Ou as meninas traziam da escola e cheias de orgulho lá íam enfeitando com os seus tesouros, ou eu não resistia à tentação de comprar mais uma bola, ou mais uma fita, ou mais um boneco....

Como este ano a árvore é natural, merece umas decorações a condizer!
E, depois de uma temporada em recolha de jacarandás, hoje foi o dia de pôr mãos à obra.
Avancemos sem medos!




As decorações deste ano prometem! E todos da casa contribuiram!
Devíamos ter começado a parte da pintura mais cedo....já que a àrvore é grande.....acho que vamos fazer um 2 em 1, versão clássica com pintura moderna!



sábado, 30 de novembro de 2013

Já cheira!


E está quase aí!
Agora sim cheira-me a Natal!
Novembro acaba hoje e com ele foram aniversários, o magusto e o Outono no seu pico.
E embora ainda haja muito colorido nas árvores, viro-me para dezembro.

Para os dias frios e curtos.
Para as listas de presentes.
Para as listas de afazeres.
Para uma azafama que adoro!
Pensar nos outros, no que gostariam de receber, em atividades, em calendários de advento, em decoração, em fotografias, em cartas para o pai natal, em visitar presépios, em ir à terra dos sonhos, enfim dezembro é um mês em cheio!! Acho que é para compensar do frio que traz com ele!

Este ano apeteceu-me voltar aos tempos em que tinhamos uma árvore verdadeira, em que cheirava a pinheiro dentro de casa.
Não sei se é muito ecológico, mas há árvores plantadas para este efeito e outras que se retiram à floresta por boas razões, e como tal a de plástico e arame este ano fica na garagem!

E por isso hoje fomos buscar uma verdadeira. Não descobri venda de árvores nem nos bombeiros, nem nos escuteiros, nem no mercado...e por isso fomos ao horto.

Estava a ver que tinha que ser assim.


De repente pareciam todas pequenas mas quando a fomos pôr no carro.....

Não chegamos a precisar de a amarrar no tejadilho, mas foi quase!!
E pronto, estamos prontos para dezembro!


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Pois....há horas destas


Pérolas da maternidade que só as mães entendem - Parte III

Ele é o trabalho, a casa, as rotinas, o leva e traz para as atividades, e tudo e mais alguma coisa.

Depois há aqueles dias que decido atirar-me de cabeça à logística da roupa das meninas....a que não serve, a que é para dar, a que já não dá nem para dar, a que se pode guardar da mais crescida para a mais nova, a de verão, a de inverno, etc.....e é um dia nisto. Depois fecham-se gavetas e armários e parece que não estivemos a fazer nada o dia todo!

E por isso, há dias em que apesar do que fica pendente, e que é sempre tanto, mais vale é dormir a sesta! Aliás reformulo: Mais VALIA dormir a sesta, porque nem para isso o tempo chega!

Para quem perdeu as partes I e II das pérolas, aqui fica.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Nem sempre perfeito.....


Há dias assim....

em que parece que a energia delas não acaba quando a minha já expirou...
em que tenho saudades de chegar a casa e dormitar no sofá às horas do jantar.
em que poderia até nem jantar.
em que me apetece deitar antes que a casa sossegue.
em que a gota faz transbordar o copo.
em que suspiro.
em que penso, daqui a nada já vão dormir...

e depois afinal quando dormem, fico eu acordada...
afinal os pendentes podiam esperar,
afinal talvez não estivesse assim tão cansada,
afinal fico a aproveitar os silêncios da casa
e afinal os silêncios também incomodam.
 ....há dias assim....em que nem sempre é perfeito.....aliás, é tudo perfeito, mas custa a ver.


Acordos à parte

Pais e filhos com acordos ortográficos diferentes.....

Sim, somos de outra geração e sei que daqui a nada estou a ouvir:" Oh mãe não percebes nada, tu até nasceste noutro século!"

Não é uma questão de falta de adaptação, ou de resistência à mudança, apesar de achar este novo acordo uma treta....mas quando dou comigo a tentar corrigir TPC´s de escola primária e me sinto doutro mundo o caso muda de figura. Ainda não ouvi a parte de ser doutro século, mas já ouvi "Oh mãe não vês que agora não é assim!" e pronto envelheço 10 anos por cada frase destas!

Há coisas que me fazem confusão:
....ele é os meses em minusculas, as letras que fugiram, os hifens que já não se usam, os hifens que afinal se usam, formas de escrita opcionais, acentos que já não existem.....

Primeiro foi a mais crescida que aprendeu pelo antigo e passou depois para o novo. Era vê-la, no 2º ano, a tapar a lápis as letras que já não se usam. O livro parecia uma caixa de brindes de chocolates Regina toda cheia de bolinhas furadas a caneta, mas neste caso pintado a lápis.

A mais nova cresceu no mundo das letras no Novo acordo.


E agora dou conta que parecemos ainda mais antigos, dou conta do que mudou de facto.....

Ela não reconhece palavras como "Factor"; "Acção", pelo menos da forma como nós as vemos.

Pergunta o que lá está a fazer o "c" a mais.....e não consegue deixar de o ler....então ao domingo à noite olha para a TV e diz "Porque é que escrevem FaCtor X"? Ou "Porque é que se diz filme de aCção?"

Eu só espero que agora não mudem tudo outra vez, ainda me desorientam a miúda!








quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tentações


Juro que estou seriamente tentada a colocar uns cartazes espalhados pela casa!
Não em sinal de protesto, mas para ver se me ouvem!

E eu que nem sou nada dada a extremos de organização mas há coisas que me inquietam para não dizer que me tiram do sério....

Todos os anos, vem o frio e a cena repete-se. As meninas lá andam pela casa de meias, por muitas pantufas de vários tipos e espessuras de aconchego que tenham.... E lá entram na cozinha descalças, onde o chão pela sua natureza é mais frio. E lá começo a apregoar, vai-te calçar, olha que te constipas, não vês que estás com tosse, ficas com os pés gelados, não vos percebo, etc.... isso e mais do género que cai em saco roto, até que  me esgoto e disparo "Ninguém entra na cozinha sem pantufas!"
....e assim lá me ouvem e andam para trás para o ponto de partida, a porta. Chegam até ao ponto de quererem dizer qualquer coisa e ficarem à porta, sem entrar, em vez de se irem calçar.....
Se calhar é só na minha casa, mas ainda agora começou o frio e já disse isto algumas 50 mil vezes....
Não consigo entender como se resiste a um bom par de pantufas...
 
Portanto 1º cartaz na porta da cozinha: "Ninguém entra na cozinha sem pantufas". Correção: "Ninguém entra na cozinha sem pantufas NOS PÉS!", não vá existir alguma confusão quanto a isto.....

Na verdade, se pensar bem ocorrem-me vários "cartazes" que gostaria de colocar em locais estratégicos, mas acho que ía atrapalhar o decor lá de casa!

Mas não vou resistir ao 2º Cartaz:
" A roupa coloca-se DENTRO do cesto da roupa suja! Não em cima da tampa!"
Se soubesse agora tinha logo comprado um cesto sem tampa.....coisas de quem não pensa!

Já adjudiquei a ideia. Vou concretizar os cartazes, a bem da minha sanidade mental!

Na verdade chego a pensar que precisava era de uma parede destas.....


mas vá, se me ficar por 2 cartazes.....nada mau! :)


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Muito à frente



Sabemos que esta geração é diferente quando.....


.....numa tarde de costura um alfinete de cabeça colorida colocado num nariz de um gato de feltro dá rapidamente origem a este comentário:

"Olha parece um gato com um piercing"- R

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Amor


Há uma página no facebook intitulada Eu amo, e gosto, porque AMO é uma palavra que raramente se diz. Facilmente se substitui por "gosto muito" ou "adoro"....

A minha I encontrou por lá várias coisas que ama, Porquinhos da Índia, Crepes, Acampar, Ouvir música, Cães......e por aí fora.....

E mais estes AMO ´s, que publicou na página dela....embora as fotos não sejam nossas.

E não é de uma pessoa se derreter?!!

Obrigada I!

Por seres assim!







domingo, 24 de novembro de 2013

Pequenos grandes tesouros


"Mãe posso ir pintar com tintas e pinceis?"

E assim começou a manhã de sábado para a R.

Fez um rascunho em papel.
Andou a perguntar as cores preferidas de cada um.
Depois avançou para a tela. Ainda vi o início da obra a sair dos pinceis.


Não vi o resultado final.
Foi esconder, enquanto secava e só podíamos ver quando estivessemos todos juntos.
Primeiro faltava o pai, depois estava o pai mas faltava a mana....

....e finalmente ao fim do dia lá estavamos os quatro e chegou o momento de nos mostrar a sua obra prima.


E o que gosto mais é estarmos lá todos juntos!
E aguentou um dia inteiro para desvendar o segredo.
Estes tesouros guardam-se (também) no coração!


sábado, 23 de novembro de 2013

"Gratitude Jar"

Depois do projeto 366 em 2012, era precisa alguma coragem para iniciar outro desta envergadura....

Tropecei noutra ideia, "Gratitude Jar". Trata-se de 1 frasco; pequenos papelinhos; 1 caneta; escrever alguma coisa boa do dia. É fácil!

Ideia adjudicada para 2013.

Frascos já tinhamos, tinha sido uma prenda de Natal da prima Susana.
Dia 1 começamos a escrever nos papelinhos, o que de bom aconteceu nesse dia.
Do que gostamos, do que nos rimos, do que nos fez mais felizes.
E continuamos por aí fora.
Perdão, continuaram elas, eu não….mas devia! Até porque lhes disse que era um desafio a três.
Temos 2 frascos quase cheios! De bons momentos, de recordações, de coisas boas!
(É certo que faltam alguns dias, porque adormeciam cedo, ou porque estavamos de férias, mas atualizamos com memórias)
Comecei por ajudar a mais pequena a escrever, porque ainda estava a dar os primeiros passos no mundo das letras.
A mais velha já os escreve sozinha, e alguns são só para eu ler no fim do projeto!
Ao longo do ano foi giro ver que a R começou a conseguir escrever os seus próprios momentos bons.

E não é que está quase?!?!?



Vamos ler todos os papelinhos dia 1 de janeiro 2014, e sei que vamos sorrir muito!

E já não falta muito para começar a pensar no desafio 2014.....



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Transparências


Entre mães e filhos há um processo de transparência.
Cheguei a pensar que tinha só um sentido. Que elas eram transparentes aos meus olhos. Porque lhes conheço as manias, os sobrolhos franzidos, porque lhes adivinho as perguntas apenas quando dizem "Mãe!", porque lhes conheço as vontades, os receios, o que as faz feliz, porque ainda me escondem pouco...



Mas afinal é de duplo sentido.
Nós também somos transparentes. Mais do que pensamos. 
Não adianta disfarçar, forçar sorrisos, porque entre os nossos suspiros, há olhares muito atentos.
Olhares tipo radar que sabem que há dias que carregamos o mundo nas costas, e que esse peso nos muda para além da expressão facial, o estar e o sentir.
E esse peso por vezes atenua-se porque uma criança é sincera e ama sem reservas.
Quando ouço "Estás triste hoje?"; "Tiveste um mau dia?"; "Estás cansada?", o mundo desaba aos meus pés porque não devia ser transparente....

Mas depois recebo abraços de conforto vindos do nada. E transforma-se de repente no melhor do meu dia. O resto fica para trás, dissipa-se.

Se calhar este processo de transparência é suposto ser assim, retemperador e salutar para ambas as partes...



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

True Colors


E foi daqui que veio o nome...."TRUE COLORS"



Os pequenos grandes pormenores;
Aproveitar coisas boas do dia;
Valorizar momentos que passariam despercebidos;
Olhar com atenção;
Ver o lado bom das coisas,
Focar no que é realmente importante;
Trazer cor a dias cinzentos.

E também veio daqui, por ser das minhas preferidas......True Colors

"But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow"


Depois de um ano com um projeto pessoal muito envolvente, o 366 (2012), uma foto por dia (pelo menos), sinto que mudou para sempre a minha visão de tudo. Foi inspirado numa mãe, que vive a milhares de km de distância e que não conheço pessoalmente, e pensando bem, que não conheço de todo. Mas conheço ideias, projetos, modos de vida, etc.....A ideia é dela e chama-se "Documenting Delight", ou seja encontrar algo de bom em cada dia que valesse a pena um "click". Criou um grupo, "conheci" muitas mães de várias partes do mundo, todas com um objetivo comum. Criar memórias. Ensinar a ver o lado bom.

Não foi fácil. Houve dias dificeís, em que o tempo evaporava e corria....ora sem aparentemente nada para registar, ora porque não tinha máquina à mão....mas depois havia um livro ao deitar, mimos e abraços e isso em certos dias é tanto!  Obrigou-me a ver, a encarar de outra forma, a fotografar momentos que nunca teria guardado em imagens...Confesso que me falharam alguns dias, mas poucos muito poucos. Mas mais para a frente, quando se tornou um hábito já eram as meninas que diziam "Tira uma foto mãe!" ou "Ainda não tiraste a foto de hoje".
E acabou por ser um 366 a dobrar, porque cada uma tinha os seus momentos, e ainda havia os que eu via....

Acabou por se tornar num dos meus melhores projetos!

Que sei vou adorar guardar e elas também, para além da memória.

.....As "verdadeiras cores" da vida!




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Nos tempos que correm.....


Ainda em 2012, a I pediu uma PSP perto do Natal.
Decidimos nesse ano não a oferecer no Natal, porque no meio de tantos outros presentes que recebe da família toda poderia não lhe dar o devido valor.
Assim sendo, ela perguntou se podia juntar dinheiro para a comprar.
Face a isto, e mesmo tendo nós pensado que a iríamos comprar mais tarde, decidimos aceitar a proposta dela e fomos esperando. Claro, que várias pessoas da família sabiam da intenção dela e como tal lá íam contribuindo e ela ía amealhando.

E foi em Maio, já para o fim, que anunciou que tinha finalmente o dinheiro que precisava para a tão desejada PSP. E assim foi, trocou o recheio do(s) mealheiro(s), pela caixa com a dita PSP, e não houve cá perdões.....tudo contadinho ao tostão.....
(bem, mais ou menos)


Mas na verdade percebeu algo muito importante. Ficou com a PSP, mas com o(s) mealheiro(s) vazios.....e até lhe saltaram as lágrimas dos olhos.....


Hoje não há como fugir a certos assuntos..... crise, troika, austeridade, desemprego, tudo palavras que desconheciam (algumas até eu) , que passaram a interiorizar, que fazem agora parte desta geração de pequenos que se estão a transformar em graúdos.....
Já nos chegaram a perguntar o que acontece se formos despedidos, tal começa a ser a realidade envolvente de pais de amigos, da possível não colocação dos próprios professores, de colegas que não levam lanche, etc

Esta geração está a crescer com medo que os pais deixem de ter dinheiro, com medo do que possa vir a acontecer num futuro que não sabem bem quando é.

Tentamos passar a mensagem que o que se tem custa dinheiro, que se conquista, que não aparece de mão beijada, mas sem grandes exageros, até porque para isso basta ligar a TV!

Ainda assim, nos tempos que correm dou comigo a sair de casa e as meninas acompanham-me com carteira. Sim, são meninas, carteiras a tiracolo é normal. Mas quando pergunto porque as levam, o que me surpreende é a resposta: "É para pagar qualquer coisa que a gente queira!"

A I já comprou uns doces para ela e para a irmã.
A R numa loja escolheu uma camisola e fez questão de ser ela a pagar (a mãe teve que ajudar com parte....)
A I comprou uma prenda de anos para a R e não quis que eu pagasse porque entendia que assim não era mesmo uma prenda dela.
A I juntou dinheiro para me comprar uma prenda de aniversário e este ano quer contribuir para as prendas de Natal da família.

Eu podia até dizer "Deixa estar a mãe paga" e até digo às vezes, mas não me deixam!

Não sei se isto me assusta se me faz sentir orgulho....

Estas dualidades deixam-me um nó na garganta.....
Palpita-me que será uma geração e tanto!




terça-feira, 19 de novembro de 2013

Segunda casa


O Jardim Infantil dos SASUC foi durante 3 + 3 anos, uma segunda casa.
Fez 40 anos este novembro, tal como eu, e não podíamos deixar passar a oportunidade de festejar num espaço fantástico que é aquele quintal!



Foi dia de comemorações, magusto, venda de garegem mas acima de tudo de reencontros!
Daqueles reencontros que transformam o dia, que trazem sorrisos rasgados, abraços apertados, xi corações sinceros.

As minhas meninas criaram muitos laços, com amigos, educadores, auxiliares....daqueles que ficam para a vida.
Sentem-se aqui como em casa. Afinal, foi lá que passaram tantas horas do dia. Talvez mais horas do que comigo.
Querem sempre voltar.
Quando têm novidades ainda dizem que querem contar às suas Joanas.
Uma tartaruga outra caracol, "apelidos" que herdaram do nome das salas.
E assim tenho também uma I, tartaruga e uma R, caracol.
Têm boas recordações.
Quando as ía buscar queriam sempre brincar mais um bocadinho....

Já não tenho lá nenhuma menina, mas somos sempre bem recebidos.
Eu também criei laços, tenho saudades,e acima de tudo ganhei amigos!

Sei que adoraram andar neste jardim, recheado de pessoas fantásticas, onde as crianças são crianças.

E isso faz-me muito feliz!
Sei que escolhemos o sítio perfeito!
Sei que elas cresceram felizes naquele espaço!
Sei que voltaremos para reencontros que nos fazem bem!

Obrigada e parabéns!


domingo, 17 de novembro de 2013

Tardes de Outono



Em dias que se tornam curtos, em que a noite troca as voltas à luz do dia, e o frio ajuda a recolher...

Gosto de tardes caseiras.
De cheiros que enchem a cozinha.
De tons de outono na mesa.
De sabores que dão conforto.
De tachos que borbulham durante muito tempo deliciosas compotas.
Do frio que começa e traz o apetite pela manta.
Da chávena de chá que fumega.
Da luz do forno acesa.
De castanhas assadas.
De abóboras, cogumelos, nozes, e outros que tais.
De momentos de preguiça.
Das frutas "estranhas" que só eu como cá em casa.
De pantufas.
De estar.
....por casa e com a minha gente!



sábado, 16 de novembro de 2013

E mais não digo...


....e mais não digo porque não me deixam. :)

Mas tantas e tantas vezes uma imagem vale mais que mil palavras.
E estou tão orgulhosa do que representa esta imagem, do que ela me diz.

Que sejam "unha e carne" pela vida fora!



"Boa noite e até amanhã"


Músicas ao deitar


A mais nova nunca precisou de muitas músicas para adormecer. Em bebé até preferia adormecer sozinha e sossegada no cantinho dela. Cheguei a pensar com os meus botões: "Olha afinal há mesmo bebés assim!"

Já a mais velha sempre teve rituais de adormecimento mais complexos, entre os quais estavam presentes a história ao deitar e umas músicas de embalar que me adormeciam primeiro a mim. Costumava acordar com ela a perguntar se eu não ía cantar o resto?!??!

Entretanto a mais nova teve um upgrade e passou a dormir no quarto da irmã.

Ou seja o ritual de cantar teve que se adaptar aos gostos musicais das duas. E ficou decidido que seriam 3 músicas seguidas (isto se a mãe aguentasse!). Sempre as mesmas e sempre pela mesma ordem. Uma que agradava às duas e depois uma para cada uma, que pertenciam aos tempos de bebés de cada uma.
- Vitinho - o clássico
- Boneca de Trapos - o hino da creche
- O vento - nome atribuído por nós e letra adaptada pela mãe. A música na verdade há-de ter outro nome, mas o imporatante é que nós sabemos qual é.

Chegou o timing de novo upgrade. 
Nova mudança. Inauguração de quartos individuais para cada uma.

Instantaneamente a mais nova abdicou das músicas. Talvez o estatuto de ser crescida para ter um quarto só para ela lhe tenha dado a independência às cantorias, e quando me ía preparar para cantar ela anunciou prontamente que não precisava. Caiu-me tudo!
Como?!?!? Não precisas como?!?!??! Quase que reivindiquei os meus direitos pré adquiridos pelo "simples" facto de ser mãe.

Mas foi assim, até hoje......já lá vai 1 ano e meio!

A mais velha abdicou do mesmo, mas uma vez ou outra em dias de complicada gestão, lá relembrava o ritual e pedia as músicas.

"De repente" apercebi-me que já não canto as músicas. Nem aquelas, nem outras. Não ouve upgrade para o repertório musical.

Mais uma das coisas que deixei de fazer, que ficou para trás, que não volta...
Mais das minhas Dores de crescimento.




sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Desejos e sonhos



Pedir desejos parece fácil, e há tantas oportunidades para o fazer....

Trincar a(s) vela(s) de aniversário depois de apagadas. E quantas mais melhor na óptica das minhas meninas! Alargaram por completo esta tradição de pedir um desejo a pedir um desejo por cada vela!

Temos o Jogo da Pestana. Se temos uma pestana a bailar fora do sítio, apanhamos a pestana, colocamos entre o polegar e o dedo indicador, e segue-se o "Pensar num desejo, numa flor,  numa cor e depois escolhe-se o dedo de cima ou o dedo de baixo." Ganha o desejo quem tiver acertado em que dedo fica a pestana, isto quando não a perdemos entretanto....

Quando eu era pequena soprar um dente de leão servia apenas para a pergunta “ O teu pai é careca?!" e ficar a ver se a eficácia do sopro revelava a grande verdade sobre a calvície do pai...Agora as minhas meninas acham que é mais um motivo para enquanto se sopra pedir um desejo e deixar que o vento o leve a rumo certo.



Depois temos os desejos mais famosos do mundo, os da meia noite do dia 31 de dezembro, e são logo 12 de uma vez só! Mas estes passam-lhes ao lado porque era preciso que conseguissem comer as 12 passas.....resta-lhes a outra opção, subir acima de uma cadeira e pedir desejos durante a contagem decrescente, mas estou em crer que nesse momento a contagem é mais divertida....

A mais nova em jeito de vou atirar à minha sorte, até já perguntou se quando uma pinga de chuva nos cai na ponta do nariz, podemos pedir um desejo?

E tivesse eu alguma lâmpada de Aladino em casa, com toda a certeza havia de estar bem polida!

Cedo começaram a perceber que por muito que se peçam desejos, nem sempre se realizam...(Tenho a certeza que na maioria das vezes desejavam coisas estranhas quase impossíveis de concretizar, e daí nasceu a desconfiança!)

 “E os desejos que pedimos porque não se concretizam?!”

Ora aqui está uma boa pergunta?! E ora aí está algo que nem as mães conseguem......fazer com que tudo o que desejam aconteça...

Quem dera fosse assim fácil! Mas pedir não custa. Sonhar também não.
E é bom pedir desejos. Obriga a pensar em coisas boas. No que queremos. No que mais gostamos. E até no que já temos.
Ajuda a perceber que nem sempre ficar parados faz com que os desejos se concretizem e sonhos aconteçam!
Mas sonhar faz bem. Alimenta a alma.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Tolerância dos 100 ao 0



"Tolerância" - Muito difícil de gerir...

Por vezes desce dos 100 aos 0 em 3 segundos.....tipo pipoca, prestes a explodir à mais pequena agitação.

Depende de tanta coisa.

Despertares repentinos;
O alvoroço das manhãs;
O "quero levar qualquer coisa para a escola" e faltam 5 minutos para tocar;
Tempo contado;
Afinal chove e não sei do guarda chuva;
Onde estão as chaves de casa;
Afazeres pendentes;
Jantar por fazer;
Respostas de "mas"....
Ter que dizer tudo 3 vezes;
Ninguém ouvir;
.....
....
....

Acho que "Organização" tende a ser diretamente proporcional à "Tolerância".
Tenho tudo organizado logo sou mais tolerante. Organização no sentido de orientação.
Não se trata de uma casa imaculada, onde não se notam vestígios de gente pequena, nem de fogões que brilham, mas de orientar rotinas....
Daí que uma mãe precisa de tempo. Precisa de se orientar e de orientar o que a rodeia.
O tempo faz toda a diferença neste disparo dos 100 aos 0.....
E como gostava de ter mais tempo, para raramente chegar à tolerância 0.....

Bem, talvez tolerância 100 nunca exista....pelo menos para mim.
Detesto barulhinhos irritantes e contínuos, como tilintares, clicks de tampas de canetas, tamborilar de dedos em superficies metálicas ou outras, portas a bater, sons de TV alta, tudo a falar comigo ao mesmo tempo....por isso nestes casos já não parto dos 100....

E depois há dias.....
Há dias que estamos bem connosco e com o mundo, e aí, sou mais tolerante aos sapatos no tapete da sala, ao prato esquecido na mesa, à mochila estendida na entrada de casa....
Provavelmente nestes casos, o nosso comando e ordem até é mais facilmente cumprido.
Não sai um " Vai já tirar daqui os sapatos", mas um "Olha, porque estão os sapatos no tapete?", e resulta sempre melhor...para ambas as partes.

Ter tempo para mim, para fazer o que gosto, para elas, para me orientar, faz-me tanta falta!
Havia com toda a certeza menos dedos apontados....

Precisava de um dia off! Aí um por semana chegava....








terça-feira, 12 de novembro de 2013

Flashback



Hoje recuei no tempo 30 anos....

Descobri um amigo da escola primária. Digam o que disserem do facebook....não fosse "ele" de quantos e quantas não voltaríamos a saber nunca mais....

Tinhamos todos entre 6 a 10 anos (eu entre 5 e 9), não havia telemóveis, nem emails, por isso não nos era possível manter contacto. Alguns continuaram estudos juntos, outros separaram-se logo no ciclo. Descobri que uma amiga desses tempos idos entrou na UC no mesmo ano que eu, tirou o curso na mesma cidade, embora noutra faculdade e nunca nos encontramos...

Certo é que me encheu o dia e eu que hoje estava numa de tradições de S. Martinho, castanhas e jeropiga, não consegui fugir deste reavivar de memórias....

De amigo em amigo, já somos alguns e criamos um grupo dos alunos da Irmã Catarina Falcão Miguel, a minha professora primária.

Estamos aqui de volta do passado, de memórias que estavam tão lá guardadas no sotão, partilhamos fotografias e já me ri tanto! Partilhamos o facto de entrarmos todos nos "enta" este ano. Fantástico como nos lembramos de tantos nomes, tantas caras e histórias. Uns mais mudados que outros, mas facilmente reconhecíveis.
Dou comigo a pensar que me lembro mais destes meus colegas do que muitos do ciclo e até do liceu (vá em terminologia nova, será 2º e 3º ciclo). Hoje chamaram-me Sofia. Já não "ouvia" há muitos anos. Na altura para além dos colegas da escola, e da professora, só o meu pai e avô paterno me chamavam assim também. Depois, fiquei Cláudia.

Algumas recordações ficam para a vida, às vezes estão é arrumadas à espera de voltarem ao de cima.

Fui remexer no baú. Encontrei meia dúzia de fotografias, e o mais giro foi ver as minhas filhas a tentarem identificar a mãe! Acertaram à 1ª em todas as fotos (bom, quase todas!).

"Oh mamã, eras tão fofinha!"
"Olha aqui nesta foto tinhas o meu sorriso!"

Quem se atreve a encontrar-me?!?! :)
E quanto ao assunto turmas grandes?!? Na 1ª classe eramos 31!